Dos Conteúdos Principais do Sistema

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[2015-05-19 — editado para corrigir algumas referências aos graus da antiga e nova ordens, e erros ortográficos.]

Esta é uma opinião sobre a forma do Sistema da Santa Ordem; em particular, uma opinião sobre uma omissão na literatura mais recente.

Está claro pelos textos da Santa Ordem que, apesar de sua estrutura em inúmeras etapas, a quantidade de etapas fundamentais é menor. Documentos como o One Star in Sight identificam o “Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião” como a crise do membro da Ordem. Em outro lugar o mesmo autor declara como sendo duas as principais tarefas do membro da Ordem: alcançar o “Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião” e completar a “Travessia do Abismo”.

A mim parece que o autor omitiu um terceiro conteúdo meritório de acompanhar os dois anteriores na lista das principais tarefas do membro da Ordem. A razão para isso me parece estar na história do autor e o público para o qual ele se dirigia. Ocorre que o autor alcançou a maturidade da sua carreira em um tempo em que uma grande quantidade de material já havia sido produzida sobre o progresso de um membro da Ordem a partir do início até o limiar do “Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião”. Por esta razão, sua obra literária se concentra naquilo que carecia ser discutido. O autor trata com pouca intensidade o trabalho do Neófito.

Segundo o documento Graduum Montis Abiegni, ao Probacionista que está apto é dado acesso ao ritual 671. Dois textos diferentes estão catalogados como ritual 671: o ritual chamado Pyramidos e o ritual chamado ThROA. Ambos são basicamente o mesmo ritual, um adequado à realização solo, outro adequado a realização de dois operadores mais um candidato. Desses o mais antigo é o ritual chamado ThROA. Este ritual, segundo os registros históricos disponíveis, foi elaborado como uma transformação do ritual de iniciação ao grau 0 = 0 da Antiga Ordem.

Na antiga Ordem, os dois rituais principais eram o ritual de iniciação ao grau 0 = 0, que dá acesso à ordem externa, e o ritual de iniciação ao grau 5 = 6, que dá acesso à ordem interna. Os rituais de iniciação aos graus 1 = 10, 2 = 9, 3 = 8 e 4 = 5 eram menos importantes e possuíam um caráter instrucional, desdobrando o conhecimento da Ordem. Não temos ciência de rituais para os graus 6 = 5 e 7 = 4. Parece claro que as duas grandes crises do membro da Antiga Ordem eram o acesso aos rituais do 0 = 0 e do 5 = 6.

Na Santa Ordem, o ritual de acesso à Ordem Externa elabora a passagem de Osiris, o morto, da noite ao dia, com ênfase no julgamento no salão de Maat. Através deste ritual o profano se configura Neófito da Santa Ordem e obtém acesso ao grau 1 = 10, correspondente a Malkuth, o Reino. O ritual do 1 = 10 como método portanto obtém o efeito de mover o Operador da escuridão para a luz, L.V.X., configurando Osiris, o perfeito, aquele que segue para fazer sua vontade no mundo.

Neste contexto, outro nome para Malkuth surge com pertinência: o Portão, ou o Portão da Luz. O membro da Santa Ordem recebe o ritual do 1 = 10 não apenas como um ritual de iniciação mas como um método a ser elaborado para diversos fins. Através deste ritual, o Operador pode abrir o Portão da Luz para trazer aquela L.V.X. que dispersa as trevas.

Propomos aqui então que a Santa Ordem elabora três conteúdos principais, sendo que o primeiro está ausente da literatura por uma mera questão histórica. O primeiro conteúdo principal é o Portão da Luz; o segundo conteúdo principal é o Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião; o terceiro conteúdo principal é a Travessia do Abismo. O método do Portão da Luz pertence ao Neófito; o método do Conhecimento e Conversação do Santo Anjo Guardião pertence ao Adepto; o método da Travessia do Abismo pertence ao Mestre do Templo.

Observamos que na Santa Ordem apenas essas três etapas possuem uma etapa preliminar, um preâmbulo: o Probacionista é o preâmbulo para o Neófito; o Senhor do Limiar é o preâmbulo para o Adepto; o Bebê do Abismo é o preâmbulo para o Mestre do Templo. Nenhum outro grau possui um preâmbulo explícito, mais bem caracterizado que a mera posição de graus em sequência.

Isso indica a importância e gravidade destes três momentos no plano do Sistema, e indica a equivalência em importância do acontecimento do Neófito ao acontecimento do Adepto e do Mestre do Tempo. Outra indicação desta equivalência é o conteúdo do liber Tau, que elabora o plano da Ordem em sete categorias por três personagens: o Neófito, o Adepto e o Mestre do Templo.

Todos os outros conteúdos do Sistema são secundários e tem o propósito de elaborar e explorar os conteúdos principais. Temos evidência de que, no plano da antiga Ordem, o ritual do 0 = 0 era compreendido como um método generalista. Após completar o ciclo de graus instrucionais da ordem externa, o membro obtinha acesso à uma interpretação do ritual do 0 = 0 através do qual este ritual poderia ser utilizado para diversos fins específicos: a divinação, a evocação, a consagração, a alquimia etc. Desse modo, os diversos métodos específicos elaborados pela ordem externa se mostram casos particulares do Grande Método de L.V.X. operado através do ritual de 0 = 0 com os devidos ajustes.

Sendo assim como está dito, certos desdobramentos seguem por necessidade, entre os quais a natureza da Probação, sobre o qual escreverei minha opinião em outra oportunidade.

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