“Contexto” é uma série de fragmentos curtíssimos que eu pretendo publicar periodicamente. Os textos da série “Contexto” refletem os frequentes estudos de contexto que se mostram necessários na minha pesquisa. Estes textos não representam teses interpretativas: eles são o resultado de uma busca por interpretantes.
Only if ye are sorrowful, or weary, or angry, or discomforted; then ye may know that ye have lost the golden thread, the thread wherewith I guide you to the heart of the groves of Eleusis.
Liber Hamus Hermeticus, verso 23
Ἐλευσίς (Eleusis) foi o nome de uma cidade grega localizada na costa da região Ática, no caminho entre Atenas e Corinto.
Em Eleusis, o culto a Démeter foi proeminente e celebrado por diversos ritos e festivais ao longo do ano, entre os quais os mais notáveis foram certamente os Mistérios de Eleusis. De acordo com o hino homérico a Démeter, como citado por George Mylonas no “Eleusis and the Eleusinian Mysteries”, a deusa ensina pessoalmente os ritos aos líderes de Eleusis, “para que vocês possam reverentemente realizá-los e através deles ganhar o favor do meu coração”.
Grosso modo, os Mistérios de Eleusis foram ritos especiais da deus Démeter culminando na transmissão dos segredos ou mistérios propriamente ditos com o efeito de trazer aos iniciados as dádivas de prosperidade nesta vida e na próxima.
Após vários dias de ritos e festividades em Atenas, uma pompa partia do templo Eleusinion, na base da acrópole, em direção a Eleusis, transportando os objetos sagrados do rito. Ao chegar no santuário em Eleusis, o líder da procissão, Iakhos, era recebido cerimonialmente na corte, e festividades, sacrifícios e jejum seguiam. Eventualmente o jejum era quebrado com a administração de uma bebida especial, e os iniciados admitidos ao Templo para a celebração dos ritos secretos. Sobre estes, sabemos quase nada.
Entende-se que os Mistérios de Eleusis tratavam essencialmente de celebrar o mito da descida e posterior ascensão de Perséfone do submundo. Michael Cosmopoulos, em seu “Bronze Age Eleusis and the Origins of the Eleusinian Mysteries”, sumariza a história da seguinte maneira:
“O mito nuclear associado com Eleusis — um conto dramático do rapto da bela filha de Démeter pelo brutal deus do Submundo — é uma das histórias mais populares da literatura ocidental. Perséfone estava bricanndo nos campos quando ela colhe uma flor (um narciso na versão órfica, uma violeta na versão siciliana). Subitamente, a terra abre-se e Hades aparece em sua carruagem e cavalos para carregá-la ao seu escuro reino. Démeter procura por sua filha por toda a terra e finalmente chega a Eleusis onde, disfarçada de uma velha, se senta ao lado de um dos poços da cidade. Ali ela foi encontrada pelas filhas de Keleos, o rei de Eleusis, que a trouxeram ao palácio para conhecer a rainha Metaneira. Démeter torna-se a babá do jovem príncipe Demophon, que tenta tornar imortal segurando-o sobre o fogo. Surpreendida por Metaneira, ela revela sua verdadeira identidade e ordena ao povo de Eleusis que construa para si um templo. Por um ano ela se recolhe no templo e causa fome por toda a terra. Zeus foi forçado a um compromisso, e Perséfone reunida com sua mãe em Eleusis, mas não antes que provasse da comida do Submundo. Pela eternidade ela deveria passar parte do ano com sua mãe e parte do ano com seu marido.”
Compare:
Come, let us sing to thee, Iacchus invisible, Iacchus triumphant, Iacchus indicible! Iacchus, O Iacchus, O Iacchus, be near us!
Liber Liberi, cap. 4, versos 23-24
There was a maiden that strayed among the corn, and sighed; then grew a new birth, a narcissus, and therein she forgot her sighing and her loneliness. Even instantly rode Hades heavily upon her, and ravished her away.
Liber Cordis Cincti Serpente, capítulo 1, versos 47-48
Only your mouths shall drink of a delicious wine — the wine of Iacchus; they shall reach ever to the heavenly kiss of the Beautiful God.
Liber Hamus Hermeticus, verso 32


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