Ciência no Iluminismo Científico: o Caso de Meredith Starr

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Trabalho apresentado no colóquio Pestilência em Foco em junho de 2021.

Boyle replaced knowledge by comprehensibility but he did not find in this replacement any guarantee. He argued for it as the cause for intellectual satisfaction — although Bacon had deemed satisfaction a major inducement for the development of prejudices. In one way Boyle did agree with Bacon more than with Decartes (and rightly so): Bacon had claimed that intellectual satisfaction with the theories we have at hand may lead to stagnation. Boyle concluded from this that satisfaction it not enough: we need power too.

The Very Idea of Modern Science, p. 202

It is not enough to be right. It also has to work.

Neil deGrasse Tyson, “Neil deGrasse Tyson teaches scientific thinking and communication”, masterclass.com

Em seu primeiro número, o “Equinox”, publicação oficial da A⸫ A⸫, anunciou-se como “a revista do Iluminismo Científico”. O quê «ciência» significa, qual conceito de Ciência se aplica ou é aplicável, são questões recorrentes nas discussões da Ordem e seu Sistema. Neste trabalho, exploramos o conceito de Ciência no Iluminismo Científico através de um caso exemplar: o caso de Meredith Starr.

Em seus comentários aos versos 48-52 do capítulo 5 do “Liber Cordis Cincti Serpente”, Aleister Crowley discute o que afirma ser o erro mais perigoso que magistas em treinamento podem cometer: tentar correr antes de conseguir andar, percorrer o caminho sem assegurar a firmeza de cada passo, avançar sem fortificar cada posição. Para ilustrar o problema, ele cita o caso de Meredith Starr.

Aleister Crowley, “Commentary to Liber 65”, verso 48, in “The Equinox”, volume 4, número 1

(…) he turned up one afternoon and informed me that he had just acquired the power of taking any poison without affecting him. I suggested that I try him out, and he was besotted enough to receive the suggestion joyfully. “Ring up Whineray”, I said to Neuburg, with the aplomb and savoir faire peculiar to the English race, “and tell him to send a boy down at once with ¼ ouce of Strychnine.” Neuburg went to the telephone-and a faint gleam of common sense flashed across Starr’s mind. He asked me if I could not think of something that would be less devastating in its effect in case he had not got the power quite perfect yet. I said yes, I could accommodate him, and fetched 10 grains of Calomel from my medicine case. He placed the tablets in his open left hand and picked them up one by one and swallowed them, on each occasion grinding out between his teeth, with the most horrific groans-which he intended to represent the power of will — “Strength beyond Strength, Pow-wer beyond Pow-wer, Adonai!”. We then proceded to talk about other matters. An hour or so later, he said he would go home, having demonstrated his power over Calomel. I suggestd that perhaps something might happen later on. But he laughed the idea to scorn. He promised, however, to let us know if anything happened after all.

Commentary to Liber 65, verso 48

A história prossegue com o relato das sucessivas ligações telefônicas de Starr para dar explicações sobre terríveis fenômenos intestinais que o afligiram noite adentro. Em conclusão, Crowley diz:

As I said above, this is an extraordinary case. But the general type constitutes, as a moderate estimate, at least 70% of so-called occult students. Even quite serious aspirants fall into the trap before they are any good. I have to drill them in scepticism and the scientific method of verifying one’s results for months on end.

op. cit.

Qual é a relação entre os dois componentes deste remédio, “ceticismo” e “o método científico de verificar os próprios resultados”, e como ela pode nos ajudar a conceituar Ciência no Iluminismo Científico?

Segundo o dicionário Houaiss, «ceticismo» significa coloquialmente falta de crença; descrença, incredulidade, dúvida, e, filosoficamente denota a doutrina filosófica segundo a qual o espírito humano não pode atingir nenhuma certeza a respeito da verdade, o que resulta em um procedimento intelectual de dúvida permanente e na abdicação, por inata incapacidade, de uma compreensão metafísica, religiosa ou absoluta do real.

Em sua “Introdução à História da Filosofia”, Marilena Chauí conceitua a doutrina filosófica do ceticismo:

Quando se fala em ceticismo, imediatamente entende-se uma filosofia que argumenta de todas as maneiras para mostrar que não existe nenhuma base sólida, nenhum fundamento para o conhecimento e até mesmo para a crença. A instabilidade sensorial, a pluralidade de opiniões e convenções, as contradições lógicas indicam que nem a sensação nem o pensamento racional podem apresentar-se como alicerces do conhecimento. (…) Quando, no livro IX das “Vidas e doutrinas”, Diógenes de Laércio se refere a um grupo de filósofos seguidores de Pirro, escreve que “os filósofos céticos passavam seu tempo destruindo os dogmas de outras escolas e não estabelecendo nenhum que fosse seu próprio.”

Marilena Chauí, “Introdução à História da Filosofia”, volume 2, pp. 48-49

Crowley dá seu entendimento sobre o ceticismo no “The Soldier and the Hunchback”:

INQUIRY. Let us inquire in the first place: What is Scepticism? The word means looking, questioning, investigating. One must pass by contemptuously the Christian liar’s gloss which interprets “sceptic” as “mocker”; though in a sense it is true for him, since to inquire into Christianity is assuredly to mock at it; but I am concerned to intensify the etymological connotation in several respects. First, I do not regard mere incredulity as necessary to the idea, though credulity is incompatible with it. Incredulity implies a prejudice in favour of a negative conclusion; and the true sceptic should be perfectly unbiassed. (…) Eagerness, intentness, concentration, vigilance — all these I include in the connotation of “sceptic.” (…) I picture the true sceptic as a man eager and alert, his deep eyes glittering like sharp swords, his hands tense with effort as he asks, “What does it matter?”

The Soldier and the Hunchback, seção 1

Crowley portanto conceitua o ceticismo caracterizado não pela dúvida que rejeita mas pela dúvida que investiga; o cético anseia por saber e não se dá por satisfeito facilmente, não se deixa enganar por ilusões; o cético investiga guardando vigilância para manter-se perfeitamente imparcial. Estas marcas nos conduzirão a uma certa concepção de Ciência, como vermos a seguir.

A Encyclopaedia Britannica nos diz «método científico» denota técnica matemática e experimental aplicada nas ciências. Mais especificamente, é a técnica usada na construção e teste de uma hipótese científica. Na imaginação popular, Ciência é uma coisa realizada por uma classe selecionada de indivíduos chamados Cientistas, cuja prática se dá em lugares chamados Laboratórios onde, através do uso de instrumentos especializados de alta precisão, obtém-se a Comprovação Científica da verdade. Apesar das enormes controvérsias provocadas pela dissecação desses conceitos pelos pesquisadores da história e da filosofia da ciência, permanece ainda hoje no imaginário popular a ideia de um progresso contínuo e linear em direção à uma verdade cuja irrefutabilidade obtém-se através de um mecanismo especial chamado método científico. Em sua dissertação “The Very Idea of Modern Science”, Joseph Agassi analisa as raízes dessa situação na obra de Francis Bacon e Robert Boyle.

We may remember that towards the middle of the nineteenth century Auguste Comte introduced positivism explicitly as the religion of science, albeit in a somewhat new sense of the word. Nonetheless, that religion is Bacon’s doctrine of prejudice: science is the source of all progress and metaphysics is but an obstacle to it. Grosso modo, already in the eighteenth century it was the received opinion among researchers with almost no exception. (…) To spell it out, the received opinion was this. First, researchers cannot help going on discovering new facts and new theories as long as they proceed with their proper scientific research. Second, the results of their discoveries are unassailable truths. In short, the received opinion was that we possess a science-producing machine of sorts. More abstractly, the received opinion was that humanity is in possession of a science-producing machine.

The Very Idea of Modern Science, p. 16

A origem deste moderno mito da ciência rastreia-se para a obra de Francis Bacon, notavelmente seu “Novum Organum”, onde encontramos declarada com todas as letras a concepção de que o progresso científico segue-se inevitavelmente, por virtude de uma força inata e genuína da mente humana, a partir da aplicação de duas regras simples: primeiro, a completa renúncia e o esvaziamento de todas as noções previamente concebidas; segundo, a constrição e a repressão do ímpeto pela formação de novas noções. Para Bacon, a aplicações dessas duas regras habilitaria a perfeita observação da natureza, pura de qualquer intromissão, a partir da qual necessariamente a verdade das coisas viria a se configurar eventualmente no pensamento.

Jam vero tempus est ut artem ipsam Interpretandi Naturam proponamus: in qua licet nos utilissima et verissima praecepisse arbitremur, tamen necessitatem ei absolutam (ac si absque ea nil agi possit) aut etiam perfectionem non attribuimus. Etenim in ea opinione sumus: si justam Naturae et Experientiae Historiam praesto haberent homines, atque in ea sedulo versarentur, sibique duas res imperare possent; unam, ut receptas opiniones et notiones deponerent; alteram, ut mentem a generalissimis et proximis ab illis ad tempus cohiberent; fore ut etiam vi propria et genuina mentis, absque alia arte, in formam nostram Interpretandi incidere possent. Est enim Interpretatio verum et naturale opus mentis, demptis iis quae obstant: sed tamen omnia certe per nostra praecepta erunt magis in procinctu, et multo firmiora.

Novum Organum, livro 1, aforismo 130

Todo erro, portanto, deriva da poluição da mente por noções preconcebidas que fracassou-se em extirpar como exigido pelo método. Bacon conceitua quatro formas de preconceito, por uma metáfora da idolatria: a adoração do Ídolo da Tribo, o ímpeto de opinar sobre as coisas; a adoração ao Ídolo da Caverna, a disposição inata de gostar das próprias ideias; a adoração ao Ídolo do Mercado, a disposição de acompanhar as ideias que são correntes; a adoração ao Ídolo do Teatro, a adoração da metafísica. A esta última Bacon atribui a grande falha dos supostos grandes pensadores, mesmo como Platão e Aristóteles, e em virtude dela Bacon prescreve o que nenhuma pessoa educada no século XXI compreenderia como científico: a abolição da formação de teorias e hipóteses.

O encontro do pensador ideal de Bacon e o cético ideal de Crowley parece claro: ambos são caracterizados, entre outras coisas, por uma característica de imparcialidade perfeita, ou seja, de um esvaziamento absoluto de todo preconceito.

O remédio prescrito por Crowley, na sua componente “método científico”, mais específico: ele prescreve o método científico de verificar os próprios resultados. A noção de verificação dos resultados pertence à concepção contemporânea e coloquial: a Comprovação Científica obtém-se necessariamente de uma outra pessoa que, através do método científico, validou nossos resultados. Certamente uma pessoa não pode atribuir Comprovação Científica ao seu próprio resultado. Consequentemente, é necessário que o resultado seja algo passível de ser repetido por outra pessoa.

Segundo Agassi, a instituição da Reprodutibilidade como uma característica sine qua nom da moderna pesquisa científica atribui-se a Robert Boyle.

The demand for the repeatability of empirical information is obtainable from the writings of Galileo and of Descartes. Boyle’s contribution was that he instituted it. Before that he stated it sharply and at length and discussed it — also at length. His institution of the demand for repeatability in the Royal Society made it a must in the whole of modern scientif c literature to date. It is possible to try to explain the failure of an unsuccessful experiment, Boyle observed. It may then be possible to test the conjecture that explains it; this test may very well turn a failed experiment into a success and the conjecture into a scientific hypothesis.

The Very Idea of Modern Science, p. 176

This was Boyle’s major problem: as he legislated for the whole commonwealth of learning, he had to offer some guidelines, but he could not go beyond the one practical guideline: what courts accept as eye-witness testimony is accepted if two independent sources testify to it and if it is taken to be repeatable.

op. cit., p. 208

O conceito moderno de Ciência, em geral, e de Método Científico em particular, envolve uma noção de que a verdade decide-se através de experimentar hipóteses, ou seja, emerge de atos com o efeito de verificar se uma certa proposição é ou não é verdade sobre o mundo. Assim como o perfeito cético de Crowley, o perfeito cientista de Francis Bacon observa o mundo com completa imparcialidade e nenhum viés, obtendo do próprio mundo seu testemunho nu e cru sobre o que são as coisas.

Para nossa investigação, é desnecessário problematizar a ingenuidade dessas noções e seu progresso ao longo do tempo; é suficiente notar sua relação com o erro, sua conceituação do preconceito ou viés como fonte de erro, e sua prescrição de corretivos. Starr obtém uma falsa certeza; sendo falsa, deve haver uma fonte de erro; esta fonte é a vaidade que o faz tender a admitir com facilidade crenças elogiosas sobre si mesmo, como, por exemplo, a crença em ter poderes mágicos.

Os discípulos desmiolados professam resultados ao sabor da vaidade: professam resultados sem assegurá-los, confirmá-los. Starr anuncia a obtenção do poder de imunidade aos efeitos dos venenos; ao ser oferecido estricnina, ele se escusa; ao consumir calomel, o resultado contraria a expectativa de imunidade e concorda com a expectativa do purgante. Em retrospectiva, tornou-se evidente que Starr possui nenhuma imunidade contra venenos.

A formação da crença, ou certeza, está no coração da questão. Na história, Starr vem a adquirir a certeza de ser imune a venenos. Infelizmente, os acontecimentos contrariaram sua expectativa: ele tinha certeza que o calomel não o afetaria, mas, afeta. Ele não age maliciosamente, ele age ingenuamente: ele se submete a um teste convicto do resultado. Ele se submete ao teste motivado pela dúvida de outra pessoa, após fazer alegações; ele não se submete ao teste antes, motivado por sua própria dúvida. Sua certeza se desfaz no primeiro teste, um teste acessível, envolvendo uma substância de fácil obtenção e tolerável efeito colateral. Starr foi crédulo.

The only way to test clairvoyance is to keep a careful record of every experiment made. For example, Frater O.M. once gave a clairvoyant a waistcoat to psychometrize. He made 56 statements about the owner of the waistcoat; of these 4 were notably right; 17, though correct, were of that class of statement which is true of almost everybody. The remainder were wrong. It was concluded from this that he showed no evidence of any special power.

Magick in Theory and Practice, cap. 28

Diante da alegação de clarividência, formula-se a pergunta — por acaso esta pessoa tem o poder de obter informação que uma outra pessoa qualquer não obteria? — e da pergunta deriva um teste. O ato da verificação emerge da dúvida sobre se a alegação é ou não é o caso. A presença da dúvida é a marca do cético: ele não admite prontamente a alegação como certeza, ele exige algo mais. De seus discípulos, Crowley exige o ceticismo, não apenas sobre as alegações dos outros mas também sobre as alegações de si mesmo. A Starr, por uma razão qualquer, ocorreu que teria adquirido o poder da imunidade contra venenos. Da ausência de verificação sobre se isto era ou não era o caso nós inferimos que não lhe ocorreu nenhuma dúvida, ou seja, ele progrediu de uma intuição inicial direto à certeza, sem nenhum rigor.

A necessidade de utilizar métodos e ferramentas para lidar com as fontes de erro ocorre proeminentemente nas duas instruções fundamentais do sistema de Iluminismo Científico da A⸫ A⸫, “Liber Exercitiorum” e “Liber Manus et Sagittae”.

The time and place of all experiments must be noted; also the state of the weather, and generally all conditions which might conceivably have any result upon the experiment either as adjuvants to or causes of the result, or as inhibiting it, or as sources of error.

Liber Exercitiorum, seção 1

The student, if he attains any success in the following practices, will find himself confronted by things (ideas or beings) too glorious or too dreadful to be described. It is essential that he remain the master of all that he beholds, hears or conceives; otherwise he will be the slave of illusion, and the prey of madness. (…) There is little danger that any student, however idle or stupid, will fail to get some result; but there is great danger that he will be led astray, obsessed and overwhelmed by his results, even though it be by those which it is necessary that he should attain. (…) It is desirable that the student should never attach to any result the importance which it at first seems to possess.

Liber Manus et Sagittae, seção 1

O registro dos experimentos funciona explicitamente como um mecanismo de controle do erro. É preciso notar todos os fatores relevantes, quer sejam possíveis condições do resultado, ou seja, condições necessárias para a geração do efeito observado, quer sejam possíveis condições de erro, ou seja, possíveis condições para que sejam formadas concepções incorretas sobre o que foi observado. No século 21, quando o conceito de ciência parece implicar a utilização de instrumentos conectados a computadores para gerar uma infinidade de números, algo tão pobre não passaria como registro científico. Porém, retornando para trás no tempo, nos estágios anteriores da formação da ciência, encontraremos níveis de rigor muito próximos: encontraremos uma noção mais simples do registro científico como a honesta e imparcial anotação dos fatos observados. A ambição então é a mesma ambição de agora: evitar a tendência do sujeito humano a gostar dessa ou daquela verdade através de certos rigores capazes de corrigir as certezas. É devido usar os melhores instrumentos que estiverem disponíveis.

O caso de Meredith Starr nos revela que o conceito de ciência em jogo no Iluminismo Científico é um conceito mais simples do que aquele do século 21, com sua tecnologia, sua eletrônica e sua computação, e sua modelagem matemática, e assim por diante. O conceito que está em jogo envolve a disciplina e o governo do processo de formação de certezas através da aplicação de rigores capazes de evitar fontes de erro, dentre elas, principalmente, os ídolos do pensamento humano, a tendência para gostar ou não gostar de certezas, como é o caso da pessoa vaidosa com relação aos fatos elogiosos de si mesma. A pessoa que trabalha o programa do Iluminismo Científico deve portanto cultivar o ceticismo, ou seja, a característica de não formação de certezas, de permanecimento na dúvida, que tem a virtude de motivar os testes e verificações. Ela deve observar com total imparcialidade e vazia de viés todos os fatos observados em um registro, o mais básico e principal instrumento de sua prática.

Referência

Aleister Crowley, “Liber LXV eith Commentary”, in “The Equinox”, volume IV, número 1, Samuel Weiser, 1996, ISBN 0877288887

Aleister Crowley, “Magick in Theory and Practice”, in “Liber ABA”, etc.

Aleister Crowley, “The Soldier and the Hunchback”, in “The Equinox”, volume I, número 1, keepsilence.org

Francis Bacon, Thomas Fowler (ed.) “Novum Organum”, McMillan and Co., Clarendon Press, Oxford, 1878; facsimile digital por Google, URL:https://books.google.com.br/books?id=N0YBAAAAQAAJ

Marilena Chauí, “Introdução à História da Filosofia”, volume 2, Companhia das Letras, 2010, ISBN 9788535917154

Joseph Agassi, “The Very Idea of Modern Science”, in “Boston Studies in the Philosophy and History of Science”, volume 298, Springer, 2013, ISBN 9789400753518

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